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.: Instituto Nacional
Brasileiro Senador Joaquim Augusto
de Assumpção - Inbraja
A história
de um grande homem
O senador dr. Joaquim Augusto de Assumpção
trouxe no berço um destino que se cumpriu: o de ser,
em sua terra natal e em sue Estado, um pioneiro de extraordinária
visão nos diversos segmentos da sociedade. No que se
refere à ética e a moral, um exemplar chefe
de família, um juiz íntegro homem público
leal e dinâmico. Serviu não só a cidade
de Pelotas, mas também ao Rio Grande do Sul e ao Brasil.
Foi dono de uma excelente e notável cultura, de uma
imensa compreensão dos fatos de sua época, com
senso exato e oportuno que lhe sinalizaram o verdadeiro progresso.
Descendia dos primeiros povoadores açorianos que vieram
colonizar o Rio Grande do Sul, trazidos pelo contratador de
emigrantes Feliciano Velho Oldemberg. Conduziram consigo apenas
parcos haveres, recebendo ferramentas agrícolas aqui
fornecidas pela emigração e aconchegando ao
peito saquinhos de sementes do arquipélago de origem,
que, com o mais vivo anseio de esperança, haveriam
de medrar no chão abençoado do Brasil como se
fossem os grãos do próprio desenvolvimento.
Entre os imigrantes portugueses estava o velho casal açoriano:
dona Isabel da Silveira e Antônio Furtado de Mendonça
– cujas filhas, Maria Antônia e Maria Eufrásia,
deixaram numerosa e ilustre descendência, que ainda
constitui as famílias de renome do Rio Grande do Sul.
Pois, uma das filhas de Maria Antônia e seu esposo Alferes
Mateus Inácio da Silveira, Dorotéia Isabel,
casou com o capitão de Dragões João José
Carneiro da Fontoura que, com uma leva de índios, fundou
a Aldeia dos Anjos, hoje cidade de Gravataí.
Desse casal descendia a bisavó do doutor Joaquim Augusto
de Assumpção, dona Maria Regina da Fontoura,
que se matrimoniou com Joaquim José de Assumpção
– avós do nosso biografado – sendo Joaquim
José de Assumpção um dos primitivos charqueadores
das margens do Arroio Pelotas, no lugar denominado de Granja
da Costa (recentemente cedido às filmagens de “Concerto
Campestre”).
Portanto, os pais do senador Joaquim Augusto de Assumpção
eram Joaquim José de Assumpção e dona
Cândida Clara de Assumpção, primos irmãos
em primeiro grau e Barões de Jarau por decreto do Imperador
D. Pedro II, datado em 12 de abril de 1898.
Nascido em Pelotas, a 18 de julho de 1850, o doutor Joaquim
Augusto de Assumpção passou a infância
e a adolescência em sua terra natal, realizando seus
estudos no antigo Colégio Pereira. Dono de bela e invejável
inteligência, escolheu a carreira preferida por todos
os brasileiros talentosos da época, destinados à
liderança social e política.
Partiu assim para São Paulo, indo estudar na famosa
Faculdade de Direito que acolhia boa parte da fina flor da
mocidade do Império, jovens que constituíram
a geração de ouro dos próceres abolicionistas
e republicanos, consolidado as bases da nacionalidade brasileira.
No mesmo período, na lendária Faculdade de Direito
de São Paulo, sentaram-se nos bancos acadêmicos
jovens rio-grandense portadores de nomes ilustres, como Piratinino
de Almeida, Antunes Maciel, silva Tavares, entre outros. Porém,
podemos afirmar com certeza que foram colegas de turma do
Senador Joaquim Augusto de Assumpção: José
Monteiro, Basílio Macado, Oliveira Melo e Fernando
Osório, este último terminando o curso no Recife,
tornando-se, mais tarde, cunhado do doutor Assumpção,
consorciado com sua irmã, dona Ernestina do Carmo de
Assumpção.
O doutor Joaquim Augusto de Assumpção concluiu
o Curso de Direito no dia 31 de outubro de 1872, diplomando-se
em 7 de novembro do mesmo ano, quando era Diretor da Faculdade
de Direito de São Paulo o Conselheiro Vicente Pires
da Mota. No “selo de ouro” do diploma do senador
Joaquim Augusto de Assumpção temos um testemunho
incontestável do seu espírito afetuoso e grato,
pois achou de nele mandar gravar a quem dedicava sua formatura:
“A meus pais, à minha irmã”; e no
reverso: “a meus familiares e amigos”. Deixava,
impresso para sempre, no “selo de honra”, aquela
luta do labor estudantil que durou 5 anos, distante dos parentes
e da província. Desta estadia em São Paulo,
trouxe bem alicerçados seus ideais republicanos e abolicionistas.
O senador Joaquim Augusto de Assumpção jamais
possuiu escravos. A escravidão contrariava essencialmente
seus princípios. Seu pai – o Barão de
Jarau – fora um dos primeiros charqueadores a libertar
os escravos de sua propriedade. Quando o doutor Joaquim Augusto
de Assumpção casou-se com dona Mariquinhas de
Mendonça, esta trouxe, como de praxe, uma jovem escrava
mucama – presente de núpcias de seus pais –
no entanto, no dia de seu consórcio, antes de assinar
o contrato nupcial, o dr. Assumpção presenteou
a serva com uma carta de alforria.
Após a formatura, o senador Joaquim Augusto de Assumpção
iniciou-se na profissão de advogado. Foi para o Rio
de Janeiro trabalhar no escritório do então
notável jurisconsulto dr. Silva Nunes e, uma vez, nomeado
este emérito jurista. Presidente da Província
da Bahia, convidou o dr. Assumpção para ser
seu Secretário.
Alguns anos mais tarde, o senador Joaquim Augusto de Assumpção
regressou a Pelotas e, em seguida, abriu um escritório
de advocacia. Filiou-se ao Partido Conservador do Império.
Embora não ocultasse seus ideais republicanos, naquele
ano de 1874 o dr. Assumpção já se preparava
para dar um dos maiores saltos de usa carreira política.
Foi nomeado Juiz Municipal de Órfãos do Rio
Grande, desempenhando tal cargo por quatro anos consecutivos.
No dia 24 de junho de 1876, através de documento expedido
e assinado pelo Imperador D. Pedro II, foi reconduzido ao
cargo.
Nos primórdios do juizado, oito anos após a
sua formatura, no dia 14 de setembro de 1880, o senador Joaquim
Augusto de Assumpção consorciava-se com dona
Maria Francisca de Mendonça (dona Mariquinhas), filha
do doutor Francisco de Paula Jacinto e dona Antônia
da Cunha. Desse matrimônio nasceram onze filhos: o coronel
Joaquim Augusto de Assumpção, que foi prefeito
de Pelotas e prócer político; Francisco de Paula,
falecido com idas; o Comendador Carlos Augusto de Assumpção;
Luiz Augusto de Assumpção, que fundou o Balneário
dos Prazeres, na praia do Laranjal; Maria Augusta e Noêmia;
Judith Assumpção de Assumpção,
que se consorciou com Arthur Augusto de Assumpção,
Patrona da Galeria de Arte do Inbraja; Ernesto, falecido em
criança; doutor Fernando Augusto de Assumpção,
que era engenheiro agrônomo; Francisca e Ernestina,
esta última falecida solteira, em 1919.
Durante a Monarquia, mesmo alimentando seus ideais republicanos,
o senador Joaquim Augusto de Assumpção foi eleito
Vereador da Câmara Municipal de Pelotas pelo Partido
Conservador, sendo Presidente da referente Casa o doutor Arthur
Antunes Maciel. Alguns anos depois, o doutor Assumpção
foi apresentado Deputado Provincial pelo mesmo Partido, nas
eleições de 1889, ainda no regime monárquico.
Republicano convicto, o senador Joaquim Augusto de Assumpção
começou a fazer intensa propaganda da República
e, uma vez, esta proclamada, foi o primeiro vereador que aceitou
o novo regime democrático. Numa atitude audaciosa e
histórica, propôs a renúncia da antiga
Câmara Municipal, a fim de que a mesma desse lugar ao
novo sistema de governo.
O doutor Assumpção foi Membro e Diretor da Comissão
Executiva do Partido Histórico Rio-Grandense, quando
Júlio de Castilhos – seu amigo íntimo
– ofereceu-lhe o cargo de Desembargador na magistratura
estadual. Da mesma forma, Carlos Barbosa Gonçalves,
Borges de Medeiros e Pinheiro Machado, fizeram-lhe os mais
honrosos convites para ocupar altos cargos públicos.
Por fim, em tantas ocasiões solicitado, aceitou concorrer
à Senatoria Federal, servindo ao Partido Republicano,
à instância de Pinheiro Machado. O senador Joaquim
Augusto de Assumpção foi eleito na vaga do doutor
Diogo Fortuna, exercendo o mandato com tamanho brilhantismo
até que a saúde não mais lhe permitiu
dar continuidade às funções que desempenhava.
Elegeu-se na sua vaga o Marechal Hermes da Fonseca.
As visitas que eram feitas ao senador Joaquim Augusto de Assumpção,
em seu palacete, cada vez mais consolidavam o seu prestígio
e o renomavam entre os grandes políticos de sua época.
Recepcionava, no palacete da Rua Félix da Cunha (em
diagonal com a Praça Coronel Pedro Osório),
expoentes da vida nacional republicana, nomes que o solicitavam
para a ocupação de diversos cargos públicos
e relevantes postos, entre os quais declinou: Governador da
Província do Paraná; Desembargador da Província
do Rio Grande do Sul, Juiz da Comarca de Porto Alegre e Vice-Presidente
do Estado do Rio Grande do Sul, convite este formulado em
carta escrita de próprio punho pelo doutor Carlos Barbosa
Gonçalves, então Governador do Rio Grande do
Sul.
Na cidade de Pelotas, o senador Joaquim Augusto de Assumpção
foi coadjuvante na administração de José
Barbosa Gonçalves, irmão de Carlos Barbosa Gonçalves,
ainda no tempo da Intendência, quando providenciou as
obras de esgoto e eletricidade do município. Integrou
as Mesas Diretoras da Santa Casa de Misericórdia, do
Asilo de Mendigos, do Asilo de Órfãs Nossa Senhora
da Conceição e da Biblioteca Pública
Pelotense, da qual foi considerado Grande Benfeitor.
No ano de 1906, tomou a frente de um notável empreendimento
financeiro, juntando-se a outros conterrâneos ilustres,
quando fundou o Banco Pelotense, com diversas agências
espalhadas pelo Brasil, tomando parte da primeira Diretoria.
Fundou ainda a famosa Fábrica de Fiação
e Tecidos de Pelotas, a primeira indústria têxtil
da cidade e uma das pioneiras do Rio Grande do Sul, aproveitando
os navios de carga que transportavam o charque para o norte
do Brasil e voltavam vazios para o sul, trazendo o algodão.
Quando da criação do Bispado de Pelotas, e conseqüente
formação de seu patrimônio, prestou o
senador Joaquim Augusto de Assumpção notáveis
serviços ao Presidente da Comissão Angariadora
de Fundos, recebendo o Diploma de Grande Benemérito
e a Medalha Benemerenti, conferida pelo Santo Padre, o Papa
Pio X, numa solenidade realizada no dia 22 de janeiro de 1912.
Era voz geral, que todos os assuntos e casos decorridos e
relacionados à cidade de Pelotas e ao Estado do Rio
Grande do sul, buscavam sempre consulta prévia do doutor
Assumpção. Segundo o que ainda contam, nada
era feito em sua cidade sem que antes fosse ouvida a palavra
do Senador.
Com vastos recursos pecuniários, prestou, o senador
Joaquim Augusto de Assumpção, um valioso auxílio
à sua terra natal, ao seu Estado e ao País que
tanto amava. Foi considerado o homem mais rico do Rio Grande
do Sul, conforme noticiam os principais jornais de sua época.
Jamais deixou de estender a mão às iniciativas
justas, oferecendo seus préstimos aos que lhe solicitavam
em qualquer coisa. Ao vir falecer, sua grande fortuna estava
dividida entre o comércio, a indústria e a pecuária
da antiga província de São Pedro.
Muito mais poderia escrever-se sobre o senador doutor Joaquim
Augusto de Assumpção, uma vez revisada a sua
existência como chefe de família, empresário,
profissional, homem público e excelente patriota. Porém
repetiremos aqui o que os outros dele disseram, talvez mais
autorizados por não lhe serem ligados por laços
de sangue: “Coração aberto à prática
do bem, compreendendo a caridade como um evangelho sublime,
despido de qualquer ostentação para a consumação
do bem e dessa mesma caridade”.
Faleceu Às 16 horas do dia 2 de abril de 1916 –
um domingo em que saíra às ruas de Pelotas a
procissão de seu Padroeiro, São Francisco de
Paula – e sua morte abalou profundamente toda a cidade
que tanto lhe devia afeto, compreensão e ajuda. Intendência
e Intendente, Dr. Cipriano Barcelos, suspenderam o expediente
decretando luto oficial. Suspensas foram também as
aulas nas escolas públicas e particulares. Indústria
e comércio cerraram as portas. O Estado do Rio Grande
do Sul decretou luto oficial por três dias consecutivos.
Sua Excelência Reverendíssima, D. Francisco de
Campos Barreto, então Bispo Diocesano, rezou-lhe a
missa de corpo presente no próprio lar. Às 16
horas do dia 3 de abril ocorreu a romaria dos amigos e do
povo, uma imensa multidão onde figuravam igualmente
homens ilustres e famosos e gente muito simples – populares
que o tinham em alta conta.
O testamento do senador doutor Joaquim Augusto de Assumpção,
datado em setembro de 1905, continha diversos legados às
instituições benemerentes e filantrópicas,
artísticas e culturais de Pelotas, cidade que ele tanto
amou.
Hoje, 153 anos completados do seu nascimento, certificamo-nos
de que exemplos assim não morrem jamais. O senador
Joaquim Augusto de Assumpção continua vivo entre
nós. O espírito culto e ponderado do incansável
propugnador do progresso continuará através
do Instituto Nacional Brasileiro, do qual é Patrono,
como um louvor e estímulo aos dias difíceis
em que vivemos. Apelamos a Deus para que nossos corações
compreendam a mensagem desse homem simples, eu possuía
um coração sempre aberto à prática
do Bem, fazendo de sua vida um verdadeiro sacerdócio.
Na edição do Diário Popular do dia 4
de abril de 1916, na primeira página deste matutino,
dedicavam matéria especial sobre a vida pública
do senador pelotense. Sob a direção de Cunha
Ramos, tal veículo de comunicação pertencia
ao Partido Republicano, enfeixando diversas reportagens sobres
os grandes feitos do doutor Assumpção ao longo
de sua existência. Enalteciam-lhe e dignificavam-lhe
conforme a sua conduta e o seu bom senso perdurados desde
o início da carreira profissional. Da mesma forma,
outros periódicos do Estado e do Brasil anunciavam
a perda do Senador, sempre evidenciando o seu caráter
e altruísmo e a sua perfeita habilidade nos assuntos
ligados à sociedade brasileira.
Entre os principais cargos públicos exercidos pelo
Senador doutor Joaquim Augusto de Assumpção
encontram-se: Juiz Municipal de Pelotas, Juiz Municipal de
Rio Grande, Conselheiro Municipal da Administração
José Barbosa Gonçalves, Desembargador do Supremo
Tribunal Estadual, Juiz da Comarca de Porto Alegre, Senador,
Deputado Estadual, Vereador, Diretor do Banco Pelotense, Conselheiro
fiscal do Banco Pelotense, Diretor da Companhia de Fiação
de Tecidos Pelotense, Presidente da Biblioteca Pública
do Rio Grande do Sul.
Hoje, com imensa honra e alegria, recebemos a incumbência
de levar adiante o sonho de um verdadeiro idealista. Portanto,
é nosso dever tornar a vida cada vez melhor, semeando
aquelas mesmas sementes trazidas pelas mãos dos colonizadores
açorianos, numa imitação à figura
do senador Joaquim Augusto de Assumpção, no
anseio de fazer medrar neste chão abençoado
do Brasil novos arautos da esperança.
Fontes
O Banco Pelotense – dr. Pedro Luis Osório
Nossa Cidade era assim – dra. Heloisa Assumpção
Nascimento
Traços Biográficos do dr. Joaquim Augusto de
Assumpção – O Globo
Diário Popular, Opinião Pública, Diário
de Notícias e Arauto.
Revistas: Em Guarda, O Globo e Odisséia.
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